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Lisandro Nogueira - 114 - Novembro de 2012
Real e imaginário
Foto da capa do livro A musica no cinema brasileiro
A musica no cinema brasileiro
Autor: Irineu Guerrini Jr.
Editora: Terceira Margem - 244 páginas
Foto do(a) autor(a) Lisandro Nogueira

Estante

 

A pesquisa de Irineu Guerrini Jr., doutorado obtido na ECA-USP, insere-se numa área praticamente não explorada pela historiografia do cinema brasileiro. Somente José Ramos Tinhorão, em Música popular: teatro e cinema (Vozes), de 1972, tinha se debruçado sobre o tema, mas, mesmo assim, dedicou-se somente ao documentário. A obra investiga o intenso diálogo entre música e cinema: a confluência preciosa entre bossa nova, cinema novo, tropicalismo, cinema marginal e o “ressurgimento” de Villa-Lobos por meio dos filmes de Glauber Rocha.

Um ponto importante do livro consiste na escolha da análise fílmico-musical para destacar a importância das trilhas sonoras nas narrativas. O cinema está na “moda” como suporte para estudos na sociologia, psicanálise, artes. Contudo, poucos se dão ao trabalho árduo e fundamental de amparar sua pesquisa com a análise “por dentro” dos filmes.

O livro desdobra-se em sete capítulos. O primeiro é exemplar, pois mostra como o padrão sinfônico, vigoroso até os anos 50, foi abandonado pelo Cinema novo, que estabeleceu assim uma outra forma criativa para as trilhas sonoras. Destaque também para o segundo e o quinto capítulos, que mostram a influência da bossa nova e do tropicalismo nos filmes Os cafajestes, O bandido da luz vermelha e Brasil Ano 2000. O livro contempla ainda os motivos pelos quais as músicas de Villa-Lobos foram tão utilizadas nos anos 1960 e a fecunda incorporação da música experimental nos filmes de Nelson Pereira dos Santos.

O CINEMA DE QUENTIN TARANTINO

Mauro Baptista

PAPIRUS

144 p., R$ 38,50

Os filmes de Tarantino podem ser denominados de pós-modernos. Predomina neles a fragmentação, a mescla do cinema clássico e do moderno, a diversidade de estilos, a construção de personagens multifacetados e uma pletora de ironias e escárnio. O livro procura compreender essa filmografia tão eclética por meio do tripé – comentário, análise e interpretação. O contexto histórico moderno/pós-moderno nos é informado, o que predomina, porém, é a análise do estilo e da mise-em-scène. Influenciado pela metodologia do norte-americano David Bordwell, que recomenda que o filme deve ser visto sobremaneira em sua encenação, Mauro Baptista desenvolve uma série de descrições de cenas e de seqüências que chancelam uma interpretação sólida, imune às adjetivações tão comuns à crítica de cinema.

São analisados sete longas-metragens escritos e dirigidos por Tarantino: Cães de aluguel, Pulp fiction, Jackie Brown, Kill Bill 1 e 2, À prova de morte e Bastardos inglórios.

O tom acadêmico predomina na escrita. Todavia, há uma preocupação em iniciar os leitores, principalmente os jovens cinéfilos, beatos esclarecidos, na obra do cineasta. Esse amálgama constitui um padrão modelar para os tão necessários livros de introdução ao diversificado cinema contemporâneo.

LENDO AS IMAGENS DO CINEMA

Laurent Jullier e Michel Marie

Tradução: Magda Lopes

EDITORA SENAC

286 p., R$ 90,00

A análise fílmica, aos poucos, retoma seu espaço na mídia e no meio acadêmico em função do renovado interesse, cada vez mais intenso, pelo cinema e sua capacidade de sempre representar “realidades” e construir imaginários. O diálogo do cinema narrativo, de origem americana, com as outras áreas do conhecimento (psicanálise, sociologia, história e até mesmo com as ciências “duras”) e a eclosão de um universo midiático, no qual os filmes despontam, mais uma vez, como mediadores no processo comunicacional e educacional, trouxeram de volta o interesse pela análise e crítica de cinema.

Sabemos que a crítica se diferencia da análise quanto ao seu caráter de informar e avaliar. A análise, como afirma Jacques Aumont, “esclarece o funcionamento e propõe uma interpretação”. O livro de Laurent Jullier e Michel Marie contribui tanto para o crítico quanto para o analista de feição acadêmica. Ele se divide em três segmentos: o plano (ponto de vista, profundidade de campo), a sequência (cenografia, montagem, suspense) e o filme (história, gêneros e personagens). Com essas ferramentas, empreende-se a análise de sequências (planos que compõem uma cena) de filmes significativos de cada período da história do cinema (cinema mudo, clássico, moderno).

Lendo as imagens do cinema retoma, em parte, a voga estruturalista dos anos 70, com suas análises exaustivas, plano a plano, sequência por sequência. É uma ferramenta importante, mas há, também, as limitações. Deixa de lado a tentativa de ver o filme como um todo, contextualizando-o e informando os diversos modelos de análise (textual, narrativa, imagem e som, psicanálise).

Lisandro Nogueira é professor de cinema na UFG e autor de O autor na televisão (Edusp).

O cinema de Quentin Tarantino
Autor: Mauro Baptista
Editora: Papirus - 144 páginas
Lendo as imagens do cinema
Autor: Michel Marie e Laurent Jullier
Tradução: Magda Lopes
Editora: Editora do SENAC - 288 páginas
Lisandro Nogueira
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