

Razões iluminadas
Por uma Universidade Orgânica
Johann Gottlieb Fichte
Tradução: Johannes Kretschmer
EdUERJ (Tel. 0/xx/21/587-7789)
190 págs., R$ 12,50
Um clássico das fundações, o "Plano Dedutivo", de 1807, expõe os ideais de independência universitária distintivos do modelo alemão de ensino superior, fonte obrigatória para a história da institucionalização da razão na modernidade. A universidade exigida pela época deveria visar ao ensino do emprego científico do conhecimento a partir dos princípios universais da filosofia, que constituem a totalidade orgânica do conjunto dos saberes. Certo da pertinência da razão para o controle e a salvação humanas, Fichte investe contra a cegueira da tradição, o dogma religioso e as profissões burguesas. Distinta dos particularismos, a universalidade identifica-se aos objetivos gerais do Estado, que exigem de seus funcionários a nobreza de espírito que só a vida com a ciência pode formar. O conceito geral funda a edificação na qual a organização interna é, também, delimitação de fronteiras com o exterior: fronteiras entre ciência e dogma; ciências e filosofia, artes científicas e práticas, entre os diferentes graus do ensino, as matérias na organização do currículo e muitas mais. Um texto basilar, pleno da certeza da razão na aurora da modernidade industrial.
Missão da Universidade
José Ortega y Gasset
Tradução: Dayse J.L. Carnt e Helena Ferreira
EdUERJ (Tel. 0/xx/21/587-7789)
132 págs., R$ 10,00
Em 1930, Ortega y Gasset fala, com entusiasmo e sem fé, aos alunos da Universidade de Madri sobre a reforma universitária que o fim da ditadura possibilita. O existente: a universidade visa ao ensino das profissões intelectuais, a pesquisa científica e a formação de pesquisadores. Prevê ainda alguma "cultura geral" -expressão reveladora da falsa idéia da cultura como ornato da mente e disciplina do caráter. Os efeitos desse erro são sentidos pela Europa na emergência dos novos bárbaros, especialistas de resto incultos, primitivos ante a terrível atualidade. São os filhos do funesto predomínio da pesquisa sobre a cultura, gerado pelo modelo alemão. A exigência do tempo: a cultura é o guia dos caminhos humanos na selva da existência caótica, um sistema de idéias vivas sobre o mundo e o sentido da conduta. A ilustração do homem pela transmissão da cultura é a missão universitária essencial que se desdobra na intervenção histórica, exigência premente de uma sociedade governada pela opinião pública dirigida pela imprensa: força espiritual de uma espiritualidade ínfima que reduz o atual ao instantâneo. Um texto fundamental, tensionado entre a crítica da "vontade de anoitecer" do presente e a afirmação da possibilidade de, ainda, iluminar o rumo.
O Olho da Universidade
Jacques Derrida
Tradução: Ricardo I. Canko e Ignacio A. Neis
Estação Liberdade (Tel. 0/xx/11/3661-2881)
160 págs., R$ 22,00
A responsabilidade acadêmica hoje está no centro dos três textos que compõem este livro: dois de Derrida, da década de 1980, e um de Michel Peterson, de 1995. Derrida busca despertar uma responsabilidade acadêmica que é "atualmente impossível". O colapso da problemática clássica e a total indistinção entre reflexão e ação apontam o desafio atual para o que foi e, simultaneamente, para o que ainda não é. A reelaboração da idéia de responsabilidade no interior de uma nova problemática reúne, assim, o "desejo de memória" e a "exposição de um futuro". A reflexão sobre as próprias condições da reflexão é a alavanca que talvez permita impulsionar o salto para outro lugar fundador: uma nova "Aufklärung" universitária pela qual se institua uma razão ampliada que incorpora "o além do princípio da razão", segundo lição retirada dos clássicos, em especial de Kant. Contra a atual regulação da universidade por um ideal de competência puramente técnico, Derrida lê Aristóteles para o presente: para aprender a saber, não basta a visão, é preciso saber ouvir, poder piscar os olhos, se furtar ao excesso de luz, para melhor "escutar o que ressoa".
História da Pedagogia
Franco Cambi
Tradução: Álvaro Lorencini
Editora Unesp (Tel. 0/xx/11/232-7171)
702 págs., R$ 38,00
Este manual, cuja edição original italiana data de 1995, é elaborado a partir da reflexão acerca das transformações teórico-metodológicas da investigação pedagógica e educativa que a partir do década de 70 promoveram a passagem de uma história da pedagogia (teoria) a uma história da educação (práticas). Problematizando essa mudança, o autor busca compor uma visão sintética da história da pedagogia e da educação desde a Antiguidade até a época contemporânea. A realização do projeto não deixa de apresentar problemas, o que, aliás, confere maior relevo à obra que, expondo suas próprias dificuldades, funciona como propedêutica às questões que desafiam, hoje, o pensamento sobre a educação. O mérito mais evidente dessa publicação é oferecer um manual atualizado que aborda os temas e problemas pedagógicos e educacionais do século 20, o que a torna uma útil obra de referência.
SYLVIA GEMIGNANI GARCIA