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Thelma L. da Fonseca - 109 - Junho de 2016
Notas e fragmentos
Foto do(a) autor(a) Thelma L. da Fonseca

Notas e fragmentos

THELMA LESSA DA FONSECA

 

A ARTE DE CONHECER A SI MESMO

Arthur Schopenhauer 

Tradução: Jair Barboza e Silvana Cobucci Leite

WMF MARTINS FONTES

94 p., R$ 31,40

 

Esse título designa um conjunto de anotações publicadas postumamente em circunstâncias bastante curiosas. Trata-se de um manual para uso privado que Schopenhauer teria escrito a partir de 1821, reunindo elementos para uma sabedoria pragmática e anotações de cunho pessoal.

Com a morte de Schopenhauer esse texto foi considerado desaparecido por seu executor testamentário, Wilhelm Gwinner. Entretanto, levantou-se a suspeita de que o caderno de cerca de 30 páginas havia sido guardado em segredo por Gwinner que o teria utilizado, citando-o sem fornecer a fonte, em sua biografia do filósofo.

O manuscrito, no entanto, jamais foi encontrado, mesmo após a morte de Gwinner. Essa edição, organizada por Franco Volpi, foi feita a partir de dois trabalhos de reconstrução (Grisbach e Hübscher) do que seriam essas anotações a partir das citações efetuadas na biografia de Gwinner.

O leitor encontrará, na primeira parte do livro, 38 aforismos que versam sobre assuntos diversos, desde a necessidade do ócio para os espíritos dotados de vocação intelectual até reflexões de Schopenhauer sobre sua própria obra. Na segunda parte, há uma seqüência de 17 máximas e sentenças de Aristóteles, Cícero, Goethe e do próprio autor.

 

FRAGMENTOS DO ESPÓLIO: PRIMAVERA DE 1884 A OUTONO DE 1885

Friedrich Nietzsche

Tradução: Flávio Kothe

EDITORA UnB

680 p., R$ 75,00

 

Mais da metade da obra filosófica de Nietzsche é constituída de anotações, rascunhos, versões ou escritos inacabados. A edição definitiva da obra completa, empreendida por Colli e Montinari, organiza todos esses textos por ordem cronológica, de modo a facilitar ao leitor a contextualização de cada fragmento póstumo.

Essa tradução (a última de três que já vieram a público) corresponde ao volume 11 da edição crítica e compreende o conjunto de anotações redigidas entre a primavera de 1884 ao outono de 1885. Trata-se de notas correspondentes ao período em que foi concebido Para além de bem e mal e parte de Assim falou Zaratustra, apresentando, portanto, versões rascunhadas de passagens importantes desses dois livros que, muitas vezes, trazem elementos para a interpretação de passagens do texto publicado.

Além disso, também se encontram aí indicações de autores com quem Nietzsche dialogava na época, problemas que compunham seu universo de preocupações que, embora não se refiram diretamente às questões tratadas na obra publicada, trazem-nos por vezes interessantes elementos para compreendê-la. O leitor também se depara nesses escritos com longos desenvolvimentos de idéias fundamentais, tais como o eterno retorno, que recebem tão pouco espaço na obra publicada.

 

VOCABULÁRIO DE FOUCAULT

Edgardo Castro

Tradução: Ingrid Müller Xavier

AUTÊNTICA

477 p., R$ 79,00

 

Sem a pretensão de ser exaustivo e tampouco definitivo, esse “vocabulário” pode servir como um bom instrumento de auxílio ao pesquisador da obra de Foucault, sobretudo ao iniciante. Ciente dos empecilhos que a peculiaridade da escrita foucaultiana impõe a semelhante tarefa e conhecedor da aversão que tem Foucault em relação a todo empenho classificatório, o autor se desvia da tentação de impor aos termos definições últimas e apresenta, em cada verbete, alternativas para a compreensão da expressão citando sempre as referências originais e considerando o caráter polissêmico das expressões.

Há também verbetes dedicados a nomes como Nietzsche, Platão, Hobbes, além dos contemporâneos Blanchot, Klossowski, Bachelard entre diversos outros autores que de fato auxiliam bastante a um primeiro esforço de contextualização de boa parte das referências mais expressivas na obra de Foucault.

A dificuldade que pode encontrar o leitor mais afoito reside no fato de que as referências bibliográficas apenas citam a página da obra em questão, o que exige que se tenha acesso à mesma edição utilizada pelo autor quando se quer encontrar rapidamente um trecho mencionado. Entretanto, quando esse vocabulário é utilizado como guia para um estudo mais detido de Foucault, esse inconveniente prático pode ser superado no trato cuidadoso com a obra referida.

 

ESTANTE

Thelma L. da Fonseca é professora de filosofia da UNESP.
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