

Música e letra
Modernismo e Música Brasileira
Elizabeth Travassos
Jorge Zahar Editor (tel. 0/xx/21/501-6399)
76 págs., R$ 14,00
Análise do projeto musical modernista, particularmente o esboçado por Mário de Andrade. Incluído na coleção "Descobrindo o Brasil", o livro tem o tom de uma obra didática, conciliando uma linguagem acessível a leitores não especializados a uma análise aprofundada dos impasses encontrados por Mário no propósito de utilizar a música na construção da identidade brasileira. Cautelosa com a perspectiva histórica, a autora mostra a complexidade inerente ao cenário modernista, em que as preocupações de construção nacional atropelam a busca de renovação formal. O perfil de Mário é traçado a partir de suas ambiguidades como ideólogo nacionalista e escritor comprometido com a atualização da linguagem. Travassos também se mostra cuidadosa ao lidar com as classificações correntes nas discussões modernistas -"erudito" e "popular", "cultura popular" e "cultura de massa" etc.-, procurando situá-las na época em que foram pensadas.
Noites Tropicais - Solos, Improvisos e Memórias Musicais
Nelson Motta
Objetiva (tel. 0/xx/21/556-7824)
464 págs., R$ 39,50
Livro de memórias escrito por um observador atento da vida musical no Brasil desde o final dos anos 50, quando já frequentava, fascinado, o ambiente bossanovista no Rio de Janeiro. Inclassificável profissionalmente -letrista, jornalista, crítico, produtor, teatrólogo e empresário musical-, Nelson Motta sempre se destacou por uma atitude eclética, apreciando igualmente "roqueiros, emepebistas e sambistas". Mais do que um depoimento pessoal, "Noites Tropicais" é uma memória cultural e principalmente musical do país. Tudo o que é narrado passa pelo crivo de experiências pessoais e profissionais do autor, que tece comentários críticos (e autocríticos) e assume suas paixões musicais, dedicando mais espaço a alguns músicos em particular. Com inteligência e acuidade estética, analisa os estilos e as sensibilidades que afloram dos anos 50 ao final dos 80, concluindo com a narrativa melancólica da "República das Alagoas" e sua trilha sonora sertaneja.
O Violão Vadio de Baden Powell
Dominique Dreyfus
Editora 34 (tel. 0/xx/11/816-6777)
384 págs., R$ 29,00
Levantamento meticuloso da trajetória musical de Baden Powell, reunindo informações sobre apresentações, discografia e parcerias. O violonista e compositor se projeta, a partir dos anos 60, nos cenários nacional e internacional, passando a dividir o palco com músicos importantes. O encontro com Vinicius, na década de 60, é enfatizado: tornam-se parceiros em canções antológicas e adotam a mesma atitude boêmia. Analisa-se também a estética singular de Baden Powell -"afro-samba", segundo Vinícius-, que teria origem no cultivo dos mais diferentes sons, eruditos (por meio dos estudos de violão clássico) ou populares (por meio do rádio), nacionais (de Geraldo Pereira a Pixinguinha) ou estrangeiros (principalmente o jazz). A autora nos apresenta um músico que sempre concilia elementos musicais distintos, como fez nos anos 60 com a música africana e o canto gregoriano.
Eu Quero É Botar Meu Bloco na Rua - A Biografia de Sérgio Sampaio
Rodrigo Moreira
Muiraquitã (tel. 0/xx/21/722-0075)
188 págs., R$ 20,00
Informações sobre discografia e transcrições de trechos de letras acompanham o relato da carreira de um compositor que merece ser mais conhecido. O capixaba Sérgio Sampaio surgiu no início dos anos 70, quando grandes nomes da música brasileira estavam no exílio. Soube captar o clima opressivo desse momento no primeiro LP, lançado na esteira da consagração obtida com uma composição atípica, "Eu Quero É Botar Meu Bloco na Rua", apresentada no Festival Internacional da Canção de 1972. Porém nunca mais conheceu o sucesso. Prejudicava-o a atitude ambígua em relação à carreira -queria popularidade e, ao mesmo tempo, cultivava uma imagem de "maldito", recusando-se a promover-se-, bem como a personalidade autodestrutiva, agravada pelo alcoolismo, que dificultava suas relações com executivos de gravadoras, mulheres e amigos. Apesar de canções suas terem sido gravadas por artistas importantes, seus dois LPs seguintes não tiveram nenhuma repercussão. Morreu em 1994.
SANTUZA CAMBRAIA NAVES