

ntelectuais à antiga
Maurício Tragtenberg - Uma Vida para as Ciências Humanas
Doris Accioly e Silva
e Sonia Alem Marrach (orgs.)
Unesp (Tel. 0/ xx/11/232-7171)
328 págs., R$ 30,00
Justa homenagem de colegas, ex-alunos e companheiros de militância a um iconoclasta avesso a homenagens. Tributo acadêmico a um professor antiacadêmico. Reverências a um irreverente. Eis o terreno movediço desta coletânea. Ainda sob o impacto da morte do homenageado, a maioria dos artigos contém depoimentos emocionados, destacando as inegáveis qualidades desse autodidata, intelectual "outsider", militante das causas libertárias. O livro traz ainda artigos que têm tênue ligação com a obra de Tragtenberg, mas também há ensaios mais densos sobre seu pensamento, síntese criativa de influências de vários intelectuais, especialmente Marx, Weber e autores anarquistas. Destaque para considerações em alguns textos sobre a coluna "No Batente", que Tragtemberg manteve no jornal "Notícias Populares", nos anos 80, para tratar de problemas dos trabalhadores.
Nelson Werneck Sodré na Historiografia Brasileira
Marcos Silva (org.)
Edusc (Tel. 0/xx/14/235-7111)
200 págs., R$ 19,00
O jornalista, historiador e ex-oficial do Exército Nelson Werneck Sodré talvez tenha sido o principal intelectual do Partido Comunista Brasileiro em sua fase áurea, nos anos 50-60. Destacou-se também no Instituto Superior de Estudos Brasileiros (Iseb). Foi duramente criticado nos anos 70 na universidade, que depois praticamente o ignorou. Ultimamente têm surgido estudos que reavaliam sua contribuição, como os que integram esta coletânea. Sem se perder em discursos laudatórios sobre o autor, os artigos revisitam aspectos de sua atividade intelectual e política: o programa nacional-democrático da revolução brasileira, o nacionalismo, o Iseb, a literatura e a cultura brasileiras, a concepção de povo, o marxismo, os militares, a história etc. Vários deles são de muito bom nível, como o de Jorge Grespan, que faz uma análise metodológica aprofundada do conjunto da obra de Sodré. Os autores falam em 50 ou até 60 livros escritos pelo homenageado, mas a bibliografia anexa só menciona 22, e fora de ordem cronológica, descuido que poderia ser sanado numa próxima edição.
Mario Pedrosa e o Brasil
José Castilho Marques Neto (org.)
Fundação Perseu Abramo
(Tel. 0/xx/ 11/5571-4299)
224 págs., R$ 25,00
A coletânea traz "perfis" traçados por amigos -de Antonio Candido a Lula- que lembram o Mario Pedrosa pioneiro do trotskismo no Brasil, ativista do Partido Socialista nos anos 40, depois reconhecido como crítico de artes plásticas, mais tarde exilado no Chile de Allende, sócio fundador do PT em 1980 e autor de diversos livros importantes. Na parte mais densa analiticamente, Otília Arantes, Aracy Amaral, Iná Camargo Costa e Sônia Salzstein tratam do homenageado como crítico de arte, tema para ele indissociável da política. A seguir vêm contribuições ao estudo de sua ação política: Karepovs trata da relação do intelectual militante com a 4ª. Internacional, anexando cópia da carta de Pedrosa a Trotski, que geraria seu afastamento da organização. No final, surgem três artigos sobre a atualidade política do autor.
A Grande Esperança em Celso Furtado
Luiz Carlos Bresser Pereira e José Márcio Rego (orgs.)
Ed. 34 (Tel. 0/xx/11/3816-6777)
304 págs., R$ 32,00
Livro baseado em seminário dedicado aos 80 anos de Celso Furtado, o maior economista brasileiro e o cientista social latino-americano mais lido em todo o mundo. Trata-se de um balanço significativo de sua trajetória intelectual e política. São abordados seu método de análise, seu lugar no pensamento brasileiro e latino-americano, sua contribuição ao estudo de temas como desenvolvimento e subdesenvolvimento, industrialização, nação, democracia e federação brasileiras. Os 15 autores, nacionais e estrangeiros, são admiradores de Furtado em sua busca do desenvolvimento nacional, mas não pertencem às mesmas correntes políticas e econômicas. Isso gerou relativa diversidade de abordagens, da didática avaliação geral da obra de Furtado por Bresser Pereira ao contraponto entre "esperança e desalento" apontado por Leda Paulani. Hoje, quando a cena política e acadêmica é dominada por economistas monetaristas e tecnocratas, Furtado ainda revela lucidez ímpar ao observar que "em nenhum momento de nossa história foi tão grande a distância entre o que somos e o que esperávamos ser".
MARCELO RIDENTI