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Sylvia Gemignani Garcia - 109 - Junho de 2016
Filhos do presente
Foto do(a) autor(a) Sylvia Gemignani Garcia

Filhos do presente

SYLVIA GEMIGNANI GARCIA

 

 

CULTURAS JUVENIS NO SÉCULO XXI

Silvia H. S. Borelli e João Freire Filho (orgs.)

EDUC

332 p., R$ 45,00

 

Fruto de pesquisas nas áreas de comunicações e ciências sociais, o livro reúne ensaios que investigam os modos como a cultura expressa as subjetividades em constituição na experiência juvenil.

O artigo de Jesús Martín-Barbero, que abre o volume, situa histórica e teoricamente uma abordagem do jovem como sujeito cultural que privilegia aos meios e produtos midiáticos e tecnológicos, ao estudar os processos de subjetivação, comunicação e sociabilidade de grupos e de estilos jovens, nos centros urbanos reconfigurados pela desordenação social do fim do século.

Esse enfoque desdobra-se, primeiro, em crítica cultural da mídia, da moda e do marketing como reguladores dos sentidos sociais de percepção das juventudes e, depois, em variados estudos de manifestações culturais de diferentes grupos juvenis, nos territórios midiáticos e tecnológicos do Brasil contemporâneo.

No conjunto, por certo desigual, o enfoque crítico e os dados qualitativos, como um todo, iluminam nichos de produção, consumo e apropriação cultural, onde práticas e sensibilidades, tecidas nas grandes cidades, nas grandes desigualdades, nas high-tech, expõem-se como corporeidades em movimento: blogueiros, djs, manos e rappers, entre iPods, raves, muros da cidade, celulares, identidades virtuais, comprimidos coloridos e música, muita música, oferecem-se, desafiadores, a uma crítica da cultura para sempre ciente de que a juventude é uma infinidade de palavras. 

 

 

CULTURAS JUVENIS: MÚLTIPLOS OLHARES

Afrânio Mendes Catani e Renato de Sousa Porto Gilioli

EDITORA UNESP

116 p., R$ 15,00

 

Panorama das dimensões que a sociologia investiga na juventude contemporânea, o livro aborda as práticas culturais jovens segundo padrões de consumo e estilos de vida urbanos, que se manifestam nas tribos, nas torcidas organizadas e nos gêneros musicais, em busca de expressão em um espaço público refratário. Desdobram-se, então, dimensões sociais e políticas das condições e experiências juvenis, tais como educação e trabalho, drogas, relações amorosas, sexuais, e identidades étnicas.

Usando documentação de natureza variada, que inclui dados socioeconômicos, matérias de jornais e revistas e literatura especializada, a exposição enfatiza o problema das desigualdades, de diversa ordem, que atingem os jovens que lotam os bairros pobres das grandes cidades.

Fecha o pequeno volume paradidático um breve relato histórico da construção da juventude como objeto sociológico que convida o leitor a problematizar as idealizações positivas e negativas dos diferentes grupos sobre o assunto, reiterando a primazia da perspectiva das diversidades e desigualdades para uma visão capaz de superar os estereótipos e preconceitos.

 

 

A FRATRIA ÓRFÃ. CONVERSAS SOBRE A JUVENTUDE

Maria Rita Kehl

OLHO D’ÁGUA

216 p., R$ 36,00

 

A falta de referências coletivas, para além da ética do vencedor e da vítima, condiciona os modos de subjetivação na cultura individualista das sociedades de consumo, em todos os níveis da hierarquia de classes, produzindo as contradições que alimentam a violência no capitalismo contemporâneo.

A tese geral perpassa o conjunto de artigos para jornais e revistas, textos veiculados na internet e capítulos de livros que analisam, sob lente psicanalítica, diversas manifestações culturais e sociais, sintomáticas do sofrimento impingido pelo princípio dos desejos infinitos: a depressão e o pânico entre os jovens, os adultos infantilizados, o apelo narcísico da publicidade, a delinqüência das elites.

Em capítulo central, que dá nome ao volume, na leitura atenta do rap dos Racionais, a autora elabora a idéia das identificações horizontais que unem os excluídos na “fratria” como uma possibilidade de vida simbólica no imaginário social do exibicionismo. Os iguais, certamente, não portam qualquer garantia: a intolerância tem suas formas internas, na misoginia dos manos, na tentação de impostar a voz do juiz supremo. Mas é na poesia negra e na dança dura de Mano Brown e Chico Science que a cultura brasileira ensaia, hoje, uma linguagem civilizatória.

 

ESTANTE

 

 

Sylvia Gemignani Garcia é professora do departamento de sociologia da USP.
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