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Vinicius Dantas - 8 - Novembro de 1995
Eu sou família
Foto do(a) autor(a) Vinicius Dantas

"Eu sou família!"

 

VINICIUS DANTAS

O Salão e a Selva. Uma biografia Ilustrada de Oswald de Andrade
Maria Eugenia Boaventura Ex-Libris/Editora da Unicamp, 286 págs. R$ 39,00
E m algum lugar Mário de Andrade escreveu que Oswald era "o melhor espectador de si mesmo", talvez para assinalar o quanto sua obra possuía de autobiografia, mas biografia com senso do espetacular, à qual não faltavam os elementos de mistificação, sarcasmo, blague e autocrítica também. Tendemos hoje a subestimar estes componentes mais existenciais, preferindo eleger no modernista aqueles elementos que demarcam o vanguardismo liberado de fidelidade à representação. Todavia se deixarmos que sua própria mão nos conduza vamos constatar que a aprendizagem do mundo e do modernismo significou para ele a derrota de uma literatura desligada de qualquer referência, de uma literatura esteticista e cabotina a não mais poder, e que, justamente por tais características, não desafiava em nada o oficialismo e o conservadorismo de uma Belle Époque mortiça.
"Ser literato" -diz-nos nas suas memórias- "não constituía, portanto, no seio de minha gente, vergonha nenhuma nem compromisso algum com a existência em carne viva que tem fatalmente que ser a de quem escreve". A grande obra modernista de Oswald para renovar o compromisso com a existência em carne viva teve de utilizar sua própria vida como bucha de canhão. Se este for o ângulo, vem logo à tona a importância de se conhecer mais e melhor sua biografia, o que, como já se notou, aumenta o poder de revelação da própria criação oswaldiana.
"Selvas e Salões" foi o título de um rodapé de crítica de Tristão de Athayde, publicado em 1925. Talvez Oswald tenha involuntariamente se lembrado dele quando decidiu chamar "O Salão e a Selva" ao volume de suas memórias que tratava dos anos 20. É este o título que Maria Eugenia Boaventura pediu emprestado para batizar sua biografia ilustrada de Oswald de Andrade. O volume que agora nos chega vem com deslumbrante projeto gráfico de Frederico Nasser, deslumbrante não só pela intimidade que a contemplação de expressões e atitudes dos figurantes da história de vida mais conhecida e repetida da literatura brasileira faculta, como pela qualidade e raridade do material iconográfico.
Oswald se dá a ver de todas as maneiras e posturas possíveis, permitindo que se acompanhe em detalhe o cuidado às vezes cômico que ele dedicava à aparência como também a própria construção do modernismo como aparência. A iconografia é um livro à parte, de muita beleza, traduzindo o quanto cada gesto tinha para Oswald o sentido de revelar e incrementar um sentimento novo da vida numa época em que difundir o gosto e a sensibilidade modernas no acanhamento brasileiro tinha algo de uma pedagogia heróica. Aí nessa espécie de álbum grandão de família está documentado um pouco da pré-história da sensibilidade contemporânea que, comparado a seu estado atual, fica ainda mais bonito.
Dos estudiosos que se dedicaram a essa especialidade, Boaventura foi quem reuniu a documentação mais pessoal e considerável sobre seu personagem, até agora desconhecida, da qual ela não tira porém, a meu modo de ver, o melhor partido, principalmente por falta de instrumento literário. Às vezes o leitor tem a impressão de que a narrativa que acompanha o filme paralelo é um borrão à espera de ser passado a limpo e corrigido, tantas são as incorreções, atrapalhações de data e simultaneísmos relapsos, ao qual porém os editores se apressaram em dar uma embalagem luxuosa. Ademais, o fato de a história modernista, a de Oswald em particular, andar tão mastigada (é sua quinta ou sexta versão), exigiria uma definição de ponto de vista. Embora apresente o volume como um "perfil intelectual", Boaventura na verdade contrapõe sempre à imagem pública do modernista, do profeta da antropofagia, do militante comunista e do guerreiro contristado a face mais reservada e doméstica do homem sem profissão.
"O Salão e a Selva" narra mais da "petite histoire" doméstica, amorosa e burguesa do que qualquer outra obra, nem deixa faltar os detalhes indiscretos e picantes, atendendo à bisbilhotice do leitor contemporâneo. De fato sente-se às vezes que a autora pretendeu subverter a hagiografia vanguardista, enfocando com mais ênfase a vida privada e familiar, como se esta desmistificasse a face pública do escritor. É o que explica o arrolamento prosaico dos meios de sobrevivência de Oswald, seus negócios encalacrados, seu entra-e-sai de agiotas e gabinetes de políticos, seus projetos imobiliários mirabolantes sempre ao fim pendurados em hipotecas e empréstimos extorsivos, sobretudo a partir de 1930.
Tal propósito desmistificador se dispersa em revelações curiosas mas confusas que, a meu ver, não contribuem para uma avaliação mais justa da sua posição social e literária na sociedade do tempo. Talvez por isso se sinta tão pouco no texto o fascínio desse "ser complexo e estranho que é Oswald de Andrade" (nas palavras de Antonio Candido), cujo lirismo, humor e irreverência aqui quase não entram, ao passo que pipocam informações. É óbvio que a vida do dilapidador emérito de uma grande fortuna libera facilmente escabrosidades e fatos divertidos, ainda mais se este é um grande escritor e uma figura inesquecível -o fundamental pois estaria em utilizar esse material para a compreensão de sua invenção formal ou até de sua personalidade.
O empertigamento da seriedade investigativa que distancia se justificaria se em contrapartida fosse esboçada alguma interpretação dos fatos, das obras e das várias fases de seu objeto de estudo. Sem esta, muitos dados novos se dispersam e soçobram no curso de uma enumeração fria de fatualidades imprecisas que se multiplificam sem adensar a narrativa. Temos muita informação fatual decapitada num arrolamento protocolar que tem pressa de largá-la logo porque na frase seguinte tem mais a revelar, mesmo que as frases fiquem sem sequência ou com ressonância baixa. Aí, nesse momento, o leitor pára, olha as ilustrações e respira a história tácita dessas expressões pungentes antes de tomar coragem para remergulhar em redação tão descuidada e descosida.
A técnica geralmente empregada pela autora é uma espécie de camuflagem do estilo de Oswald. Quase sempre estamos lendo algum destroço de passagens oswaldianas, alforriadas das aspas porém. Essa camuflagem ao invés de fazê-la brilhar oculta a poesia do estilo oswaldiano, com suas imagens, seu alvoroço, seu inesperado, revertendo-se numa sensaboria. Veja-se um exemplo à pág. 84: "Esse período europeu para Oswald pareceu bem equilibrado. Uma salutar vocação para o trabalho regulava os seus dias". A segunda frase foi tirada literalmente de um artigo de resposta a Tristão de Athayde. Se não me engano, era piadística no original e visava convencer o alto moralismo do crítico católico de que nosso autor não vivia na Europa uma vida de ócio e degradação própria a um vanguardista. Tudo são ambiguidades no original, porém sua instrumentalização no relato de Boaventura tem a sem-gracice de afiançar que Oswald era um trabalhador incansável mesmo nas horas de lazer.
Uma das novidades dessa biografia está na natureza dos materiais a que recorre, principalmente rascunhos, papelada de família, correspondência, de preferência às passagens dos livros mais famosos. Se esta solução demonstra a excepcionalidade de seu material, Boaventura não valoriza a fonte e faz questão de ser sempre lacônica na indicação; nunca se sabe onde o documento está, se ela teve acesso direto a ele, quem o transmitiu, qual o seu estado de inacabamento, etc etc. Tudo indica que Boaventura trabalha o seu assunto do ângulo-Nonê (o filho mais velho do escritor), contando para tanto com depoimentos valiosíssimos de Adelaide e Julieta Guerrini de Andrade (nora e ex, respectivamente). Tamanha é a confiança em suas fontes que ela dispensou de utilizar, por exemplo, trabalhos básicos sobre o assunto como os de Mário da Silva Brito e a coletânea de Augusto de Campos sobre Pagu. Se a pretensão de sua reconstituição, como ela própria diz, é de servir de "apoio à pesquisa de estudiosos da obra e da vida de um dos mais importantes modernistas", seu enorme e magnífico esforço de documentar-se corre o risco de ficar sob o signo do "ouvi dizer"... (1)
O modernismo é valor literário, intelectual, social ou comportamental? Não dá para saber. Oswald se converte então numa figura meramente idiossincrásica, cuja insaciabilidade quase autista não pára em meio a episódios descascados de vibração histórica. O que significa afinal seu experimento poético e intelectual? Apesar de Boaventura ficar colada à literalidade das citações, para ressaltar a fidedignidade exclusivista de sua pesquisa, a gente não percebe o que ela partilha em relação ao que relata -seja em termos humanos ou literários. Boaventura relaciona-se apaticamente com a poesia natural dessa vida, excetuado o período comunista que lhe desagrada francamente. Em geral ela não se solidariza com o movimento que é a regra do estilo e da existência oswaldianos, cujo romanesco intrínseco tem o condão de quebrar a indiferença.
Estamos por outro lado muito longe do tradicionalismo simpático da biografia brasileira mais convencional, de um R. Magalhães Jr. ou de um Raimundo de Menezes, em que a literatura é idealizada como uma forma de sociabilidade superior, a qual vai sendo deturpada e destruída pela modernização -razão para que se cultuasse o heroísmo provinciano da boemia, a vida grupal e a amizade.

Aqui não -o relato não investe na psicologia da personalidade nem toma a época, o grupo social ou literário como explicação ou valor sentimental ou artístico. Creio que houve certa modéstia da autora em presumir que o dar informação é por princípio superior ao contar um caso, quando este pelo menos exige o exercício da narração e obriga o narrador a consultar a própria experiência. Por conseguinte, a narrativa desse "livro de imagens", castigada pelo registro protocolar a que falta calor testumunhal e gosto analítico, corre burocraticamente.
Depois que Mario da Silva Brito tratou das relações entre vida e obra (em "As Metamorfoses de Oswald de Andrade"), Maria Augusta Fonseca da humanidade generosa e muito inocente de Oswald (em "Oswald de Andrade - Biografia"), Aracy Amaral da trajetória exagerada do ricaço modernista (em "Tarsila - Sua Obra e Seu Tempo") não custava explicar qual a importância hoje de um ângulo mais doméstico para focalizar o itinerário oswaldiano, sobretudo para que as diferenças ficassem ressaltadas (inclusive sua pertinência para um escritor que, gabando-se, dizia: "Eu sou família!"). Menos que um ponto de vista, porém, essa opção pareceu-me antes uma estratégia para evitar os episódios enfrentados por outros autores e já banalizados pela mídia. Tanto é verdade que a autora se debate para não redundar, esquivando episódios bem conhecidos: o decadentista encontro com Isadora, a morte de d. Inês, os momentos dramáticos da luta política ao lado de Pagu são postos de lado. Não fica claro se Boaventura não lhes dá relevo porque os considera lendários ou desimportantes; se este fosse o caso caberia marcar com nitidez seu ponto de vista. Igualmente não atribui às viagens a importância que Aracy Amaral lhes atribuiu (a qual por assim dizer usou o ir-e-vir cosmopolita para periodizar uma evolução artística), deixando meio embaralhada a cronologia trepidante delas.
O essencial da arte oswaldiana, agregando companheiros, acordando talentos, desconcertando os amigos, provocando o meio, está no estudo das reações, o que nutre seu senso de provocação vanguardista. Oswald faz para ver o efeito -descartar a dramatização desse espetáculo e deixar de reconstituir a posição das partes implicadas, inclusive suas motivações, também não parece boa estratégia. Uma biografia deveria antes cumprir o papel inestimável de identificar referências, especificando o contexto e o público a que se dirigiam as intervenções dele, sem o que, por causa do laconismo fulgurante de seu estilo, o sentido da obra fica embaçado (embaçamento que, acredito, foi decisivo para a constituição do mito Oswald nas últimas décadas). Boaventura preferiu simular intimidade doméstica a tratá-lo como alguém que não é nosso contemporâneo, recusando o ganho de compreensibilidade que adviria de uma opção mais contextualista. Tal recusa embaça por exemplo o capítulo dos anos 20 que dá a impressão de que tudo girava ao redor de Oswald e todo mundo era modernista, até mesmo os figurões mais carcomidos da República Velha com os quais ele confraternizava. O difícil, como se vê, está na especificação das posições artísticas e sociais do grupo e na fluidez de fronteiras de classe numa cidade bombardeada por todo tipo de influência, crescendo caoticamente e vocacionada para toda espécie de moderno meio torto.
Referindo-se ao namoro complicado de Tarsila e Oswald, Boaventura comenta: "Socialmente, levando-se em conta o provincianismo e o conservadorismo que regia a vida paulistana, a situação dos dois era bastante embaraçosa, mesmo entre o meio intelectual". A frase se dissolve no livro porque o que vimos antes é o oposto: é um rapazinho carregar uma francesa livre e determinada para dentro de uma casa de velhos doentiamente religiosos, onde por sinal foi muito bem recebida, é uma normalista erotizar lindamente um bando de literatos mocinhos, é a atração perversíssima de um bacharel babão por uma menina de quinze anos que envolve meio mundo (até Coelho Neto!) etc. Que há conservadorismo e provincianismo não há dúvida, mas também existia uma margem de tolerância e liberdade insuspeita, tudo dentro de casa e muito família. Quanto à vida amorosa, espinha dorsal deste "monógamo em série", vale lembrar que Oswald se configura em função de cada uma de suas mulheres, que correspondem a estações claras de sua vida intelectual e literária. Portanto, o tratamento da vida amorosa deveria focalizar não só o que Oswald deveu às mulheres mas sobretudo de que modo cada amor celebra a inteireza do espírito de uma época.
A partir de 1934 o relato se concentra mais e mais na vida doméstica e finanças. Ainda assim me pareceu insuficientemente explicada a famigerada ruína de 1929. A impressão que os fatos agora nos deixam é a de que a Revolução de 30 alterou os rituais dos favores nas altas esferas do poder, inclusive porque o grupo perrepista ao qual Oswald estivera ligado perdera o controle do andamento dos negócios -ver pág. 203. Tão frustros foram seus intentos de restaurar o trânsito com o poder que ele se tornou uma caricatura de bajulador dos poderosos -acusação aliás que lhe foi feita em 1952 por Jamil Almansur Haddad, e com a qual a biógrafa parece concordar (está subentendida na pág. 176). Ela também deixa entrever de que modo no fim da vida era oportunista e volúvel a política literária de Oswald, determinada antes pelo interesse de suas cavações (pág. 244). São aspectos que poderiam servir para explicar o dito ostracismo que ele amargou e sua falta de prestígio, geralmente atribuídos, e outra vez aqui, à aura convencional de confeiteiro maldito (de biscoitos finos).
É preciso dizer alguma coisa sobre a questão política que domina a segunda metade do livro. Boaventura diagnostica no ingresso de Oswald ao Partido Comunista "um sentimento de vingança" contra a sociedade que o derrotara socialmente, uma espécie de vingança de "empresário falido" (págs. 157 e 177). Todavia do ponto de vista literário e político a coisa tem muitos outros lados. O comunismo não só atendia profundamente a generosidade, a necessidade de liberdade e lirismo que caracterizavam sua personalidade, como era uma das poucas brechas na nova coalizão das classes dominantes que restava depois de 30 para seu anarquismo, propiciando-lhe uma dose enorme de sonho, poesia e internacionalismo, da qual seu teatro deu um testemunho notável.
A promessa da revolução traduzida em pitoresco e beleza se desenha nesse verso que continua o modernismo: "Seremos felizes como os tico-ticos". É verdade que a militância comunista e o primarismo teórico e cultural do PCB (Partido Comunista Brasileiro) obrigou-o a um esquematismo demagógico, embora jamais Oswald estivesse "completamente ensandecido e contaminado pelas idéias obreiristas do Partido", como ela diz à pág. 200. Ao contrário, Oswald tentou sem resultado demonstrar a afinidade do que ele fizera no Salão com aquilo que se fazia na Praça, aprofundando a congenialidade da criação moderna, espiritualmente antiburguesa, com a revolução -inclusive ensinando imaginação de subversão e alegria antipuritana a um partido bastante atrasado. Ele no entanto estava só, não possuía nem a platéia popular nem a da classe média, depois de desabado o salão grande-burguês do café. É o que se entrevê nas duas reações suscitadas pelo seu teatro: o moralismo proletário não admite um espetáculo com palavrões por ferir a inocência popular e o moralismo burguês se agasta com o excesso de sexo, divagação poética e falta de enredo e ação. Por fim, não custa lembrar que enquanto Pagu enfrentou a estrutura interna do PCB tornando-se uma socialista independente, Oswald se alinhou até 1945 na mística prestista, descambando no populismo trabalhista e sem caráter do PRT (sic).

NOTA
1. Entre as preciosas e inexploradas novidades divulgadas por "O Salão e a Selva" estão a quantidade de detalhes sobre o caso Carmen Lydia; a existência de um diário da Cyclone, dado como perdido, posterior a "O Perfeito Cozinheiro"; a existência de um "In Memoriam" da Cyclone, "Diário de Exílio - Cartas ao meu Amor", que ficou incompleto; o primeiro projeto das "Memórias Sentimentais", que remonta a 1912, concebido como um "livro de imagens" a ser iluminado por Correia Dias; o projeto em meados de 1923, na França, da revista "Latina", cujo ecletismo demonstra a confusão modernista de Oswald até então; a inexistência de "Pau-Brasil" no catálogo da "Au Sans Pareil", o que denuncia, a meu ver, a natureza das relações dos paulistas com a vanguarda francesa; os paralelos entre episódios e referências do "Serafim" e passagens biográficas de seu autor (à espera de um crítico literário que os valorize); a existência de projeto para uma espécie de Departamento de Defesa do Patrimônio Histórico, esboçado em 1926, em vista do governo Washington Luís; a localização de fragmentos de peças teatrais, escritas em 1913, e até de um texto novo, "Os Lacaios", cujo grau de elaboração a biógrafa não conta; a carta pândega (a autora não revela se foi enviada) de Oswald endereçada a Luiz Carlos Prestes, oferecendo-lhe "uma ideologia climatérica -a nossa ideologia" que era a antropofagia em 1930; o apoio à modernização do Estado Novo a despeito da oposição política sistemática, inclusive sua atuação junto ao interventor paulista para criar uma espécie de Deip (?) em 1938; além de muitos elementos para que se conheça melhor o período posterior à separação de Patrícia Galvão.

VINICIUS DANTAS é ensaísta, poeta e tradutor 

Vinicius Dantas é ensaísta, poeta e tradutor.
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