Logotipo do Jornal de Resenhas
Augusto Massi - 70 - Janeiro de 2001
Colônia 3 x 4
Foto do(a) autor(a) Augusto Massi

Colônia 3 x 4 

Uma Visão da Arquitetura Colonial no Brasil
Jorge de Souza Hue
Fotografia: José de Paula Machado e Nelson Monteiro
Agir (Tel.0/xx/21/509-6424)
200 págs., R$ 85,00.

O título promete muito. Porém, logo na apresentação, somos alertados de que não se trata de "uma visão sociológica ou a história do primeiro colono, mas um sentimento de admiração, de encantamento, pela sua adequação à terra". Diante de tal opção, em várias passagens, os conhecimentos técnicos do autor cedem espaço a arroubos nacionalistas. O livro examina a arquitetura colonial em oito Estados brasileiros: Maranhão, Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul. Cada capítulo, além de brevíssimas introduções, documenta fotograficamente construções de caráter religioso, civil e militar. Aspectos negativos: ausência de bibliografia, data do início e término das edificações e, no capítulo dedicado a Pernambuco, a inexistência de fotos dos dois principais representantes da arquitetura civil do Estado, a casa-grande e o engenho.


As Mais Belas Igrejas do Brasil
Percival Tirapeli e Wolfgang Pfeiffer
Fotografia: Günter Heil
Metalivros (Tel.0/xx/11/262-0355)
300 págs., R$ 110,00

A primeira impressão é a de que estamos diante de mais um desses livros decorativos que se aproveitam das leis de incentivo à cultura. Mas uma leitura atenta mostra o contrário. Trata-se de obra séria, informativa e atualizada. Os autores recusaram a tradicional divisão geográfica e optaram por organizar o volume em torno das ordens religiosas: jesuítas, franciscanos, beneditinos e carmelitas. Desta forma, revelam particularidades históricas e traços estilísticos gerais; por exemplo: a catequese dos jesuítas ergueu colégios e construções de plantas retilíneas na faixa litorânea; os franciscanos riscaram conventos e igrejas curvilíneas no interior de Minas. Aspectos positivos: cada igreja vem documentada com fotos e informações sobre local, arquiteto, artista e breve histórico; contém um capítulo sobre ornamentação: talha, azulejos, pintura, imaginária; traz bibliografia e glossário.


Arte no Brasil Colonial
Antonio Luiz D'Araújo
Revan (Tel. 0/xx/21/ 502-7495)
272 págs., R$ 30,00

Pelo jeitão lembra aqueles antigos manuais de estética. A divisão geral do volume corresponde às várias manifestações artísticas: artes cênicas, pintura, escultura, música. Cada uma delas vem subdividida por regiões geográficas e, posteriormente, é analisada de acordo com a contribuição individual dos artistas. Exemplificando: em "Pintura", há um resumo excessivamente didático sobre a escola pictórica de "Minas Gerais", seguido de análise convencional da arte do pintor "Manuel da Costa Ataíde". Mesmo tendo escolhido a estrutura de texto corrido, o autor revela uma forte vocação para redigir verbetes. Muito embora demonstre ser um profundo conhecedor do assunto, raramente arrisca algum vôo interpretativo. "Arte no Brasil Colonial" é uma obra bastante introdutória. Mas, sempre correta, informativa e útil para consulta.


As Festas no Brasil Colonial
José Ramos Tinhorão
Editora 34 (Tel. 0/xx/11/3816-6777)
176 págs., R$ 19,00



Cobrindo um arco de tempo que vai do Descobrimento à Independência, o historiador José Ramos Tinhorão estabelece quatro ciclos de festas: no século 16, as folias devotas (procissão das 11 mil virgens, colégio da Bahia); no 17, as festas medievais (cavalhadas, procissões, desfiles de reis do Congo); no 18, as festas barrocas (Triunfo Eucarístico); no 19, as criações populares (o Carnaval). Toda a pesquisa do autor está voltada para captar um duplo movimento ideológico. As festividades oficiais, ao mesmo tempo que afirmavam o poder do Estado e da Igreja, permitiam a infiltração de índios, negros, mestiços e da arraia-miúda que, na maioria das vezes, subvertia o caráter original das festas. Se, por um lado, a impressionante capacidade de pesquisa do autor, aliada à sua vontade de pensar por conta própria, é responsável por passagens originais, de outro, parece investi-lo de tamanha autoconfiança que julga ter descoberto a pólvora. A bibliografia em torno da colônia cresceu em quantidade e qualidade, não incorporar novas contribuições é restringir o horizonte do debate intelectual.

AUGUSTO MASSI 

Augusto Massi é poeta e professor de literatura brasileira na USP.
Top